» Agricultura Familiar do Algodão no Sudoeste da Bahia em destaque no VIII Congresso Brasileiro

A Região Sudoeste da Bahia, onde a maior parte da produção do algodão é feita com base na agricultura familiar, também se fez presente no VIII Congresso Brasileiro do Algodão, entre os dias 19 e 22 de setembro, no Expo Center Norte em São Paulo. Representando os produtores da região, o presidente da Aproleite, Aurelizo Costa de Jesus, participou de mesa redonda na manhã da terça-feira, 20, para debate da realidade da cultura do algodoeiro na agricultura familiar no país.

“No início da década de 80, com a introdução do algodão herbáceo em Guanambi, a região ficou conhecida como a região do ouro branco”, iniciou o pequeno produtor, relatando também a crise de 1986 que acabou endividando a maior parte dos produtores de algodão da região; e o aparecimento do bicudo, principal praga do algododeiro, na safra 93/94, para justificar o declínio do Sudoeste da Bahia na produção da pluma.

Como forma de auxiliar a região na retomada no cultivo do algodão, a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) e o Fundeagro, oferecem todo suporte necessário para o desenvolvimento do algodão na região. A parceria já possibilitou a disponibilização de maquinário para a colheita mecanizada e sementes no pós-safra. “A Abapa vem se empenhando para auxiliar o pequeno produtor da região”, comentou Aurelizo, lembrando que a Aproleite contempla 220 produtores em uma área de aproximados 3.200 hectares.

No entanto, de acordo com o pequeno produtor o grande gargalo da região é a falta de máquinas próprias para a colheita. “Não conseguimos colher sem o auxílio de uma colheitadeira”, explicou Aurelizo, lembrando ainda existir muitas áreas de terra na região que poderiam se tornar produtivas se houvesse mais investimento. O destacado trabalho de cooperativismo implantando na região vislumbra já para a próxima safra a possibilidade de aquisição de maquinário para auxiliar na colheita dos produtores cooperados.

A região sudoeste é em sua maioria formada por pequenos produtores. Ao todo, de um total de 1.350 produtores cadastrados, 1.133 possuem área inferior a 10 hectares, totalizando 3.486 hectares de algodão cultivados. 

A mesa redonda também contou com as apresentações de Waltermilton Cartaxo, da Embrapa Algodão de Campina Grande na Paraíba, relatando as experiências da cultura do algodão aplicada para a agricultura familiar no Nordeste do país e José Tibúrcio de Carvalho Filho, tratando do trabalho realizado no Norte de Minas Gerais.