» Apesar de safra recorde, produtividade do algodão na Bahia está menor que o esperado

Por ser uma das culturas que oferece maior lucratividade por hectare (até R$ 4 mil) o algodão se destaca na safra atual e deve bater o recorde nacional de produção. E após um ano de preços muito altos para o algodão, o Brasil deve fechar a safra 2010/2011 com volumes excepcionais. Com uma área 66% maior, passando de 835 mil hectares, para 1.391 mil hectares nessa safra, a colheita pode atingir a marca histórica de 2,05 milhões de toneladas, um incremento de 71% ante a produção do ano passado. Nesse cenário, a Bahia é o grande destaque e deve fechar o ano com uma safra superior a 600 mil toneladas.

 

A oferta reduzida no mundo e os preços em alta foram os grandes responsáveis pelo incremento na produção brasileira de algodão na safra 2010/2011 que está em fase de colheita.

 

Em nível nacional, estima-se que o índice de produtividade média do algodão em caroço deverá alcançar 3,7 mil quilos por hectare, contra os 3,6 mil quilos obtidos na safra passada, representando um incremento médio de 3,9%. “Além do fator clima, contribui para o aumento de produtividade o pacote tecnológico aplicado pelos agricultores das diversas regiões do País, notadamente nos Estados de Goiás e Mato Grosso do Sul, cujas médias estimadas de produtividade é de 4 mil quilos por hectare e 3,9 mil quilos respectivamente”, afirmou a instituição.

 

Já a produção brasileira deve alcançar patamares recordes de 2,05 milhões de toneladas, que representa um aumento de 71% ante a safra anterior, no qual foi obtido 1,1 milhão de toneladas. Serão ofertados para o mercado mais 857,6 mil toneladas de pluma de algodão.

 

Na Bahia, que é o segundo maior produtor de algodão do País, as expectativas são boas. Em área o incremento chegou a 45%, passando de 288 mil hectares, para 420 mil hectares.

 

Já a produção baiana deve superar as 600 mil toneladas, valor que supera em 43% a safra anterior. Apesar dos recordes em área e produção, o estado, que previa anteriormente uma safra de 630 mil toneladas, se viu obrigado a revisar os números para baixo, dado a uma pequena quebra na produtividade observada durante a colheita que já alcançou 20%. “Esperávamos uma safra recorde, mas com o avançar da colheita muitos produtores reclamaram que a pluma não está com a produtividade ideal. Então tivemos a perda de peso da pluma”, comentou a presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Isabel da Cunha.

 

O presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Walter Horita, confirmou a perda de produtividade da pluma do algodão, e atribuiu ao clima esse problema. “O clima estava muito bom para soja e milho no estado, e achávamos que para o algodão também. Mas quando começamos a colheita no estado, diversas regiões estão registrando uma produtividade um pouco menor do que o esperado, nada que signifique muito, mas o peso da pluma está um pouco menor. Então agora a maioria dos produtores que começaram a colheita está registrando uma produtividade menor. Acreditávamos que a produtividade seria de 280 a arroba na média, e agora esperamos 260”, afirmou.

 

Para a próxima safra Horita acredita que somente o preço determinará o tamanho do plantio. Segundo ele, os preços do produto que estavam altos até o mês de fevereiro já recuaram bastante no momento, passando de R$ 4 por libra-peso no começo do ano, para pouco mais de R$ 1,2 neste mês. “Para 2012 se os preços seguirem a US$ 1,2 por libra peso acredito que podemos ter a manutenção dessa produção, e se os preços ficarem abaixo disso, talvez os produtores diminuam a área. O produtor fará a conta para ver qual a cultura que rende mais, se é o milho, ou se é a soja, ou o algodão, para fazer o investimento”, confirmou o executivo.

 

Até o momento o estado já comercializou 400 mil toneladas antecipadamente a preços médios de R$ 40 a arroba.

Fonte: DCI