» Para evitar proliferação do bicudo trabalho preventivo precisa ser constante

A Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), em parceria com a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) e empresas de consultoria agrícola da região, realizou, na tarde da sexta-feira, 8, no auditório da Fundação BA, em Luís Eduardo Magalhães, o seminário: Manejo adequado na destruição de soqueiras e tigueras de algodão. O evento contou com a presença do secretário de Agricultura da Bahia, Eduardo Salles e da presidente da Abapa, Isabel da Cunha.

Entre os temas debatidos, o programa “Soqueira Zero”, que consiste na destruição dos restos culturais do algodão, fonte de alimentação e reprodução da praga no período de safra e entressafra. Segundo Celito Missio, 2º Vice Presidente da Abapa, o trabalho de conscientização com todos os elos da cadeia produtiva do algodão na região precisa ser constante. “Não existe fronteira para o bicudo. Ele não respeita divisa, nem fronteira”, alertou Missio, avisando que a precaução deve começar muito antes do início do plantio.

Todo esse cuidado tem justificativa. O produtor precisa se adequar a legislação fitossanitária e os prazos de destruição e manejo das soqueiras a fim de evitar as sanções previstas na lei. No estado, a exemplo do restante do país, a Portaria estadual ADAB 174/2004, determina o prazo de 31 de agosto para que os restos culturais do algodoeiro, entre um plantio e outro, sejam totalmente destruídos. O secretário Eduardo Salles defendeu o cumprimento da legislação e reforçou a importância de se manter constante o trabalho preventivo junto as propriedades rurais produtoras de algodão no estado.

Segundo dados apresentados pelo coordenador do Programa de Monitoramento do Bicudo pela Abapa José Lima Barros, na safra 2010/11 houve diminuição no nível de infestação da praga no comparativo com o período anterior. “Na safra 2009/2010 com 60 a 70 dias após a emergência a cultura já apresentava ataque do bicudo. Na safra atual a infestação inicial passou para 110 a 130 dias após emergência da cultura”, explicou. “Se as soqueiras forem destruídas corretamente, você estará se prevenindo contra a praga”, continuou.

Um dos principais desafios encontrados pelos cotonicultores da região é o ambiente amplamente favorável para a infestação do bicudo. Para o engenheiro agrônomo, Fausto Silva, da empresa de consultoria Casuya Consultoria, a praga não pode ser temida. “O grande desafio é termos uma visão de erradicação, não de convivência com a praga”, disse o consultor, reforçando que a cadeia produtiva do algodão na Bahia deve seguir o exemplo dos Estados Unidos e Austrália e focar seu trabalho na erradicação total da praga.

Monitoramento

O trabalho preventivo de controle do bicudo e outras pragas do algodão, realizado pela Abapa com apoio do Fundeagro, nas regiões oeste e sudoeste da Bahia, é feito por uma equipe de técnicos agrícolas que realizam visitas sistemáticas em todas as áreas de algodão, algodoeiras, áreas de rotação e estradas da região. Neste monitoramento os produtores recebem orientação sobre as melhores estratégias para o controle do bicudo, além de informações sobre prazos para plantio, destruição de soqueira, tigueras e transporte correto de algodão e carroço.