» Preço tem melhor nível em dois anos

O plantio de soja já vem ocupando áreas de pastagens, como aconteceu nesta safra em Mato Grosso. Mas na opinião dos consultores, a produção brasileira não poderá crescer sem o uso de novas áreas, destacadamente as do Cerrado.
Esse movimento, entretanto, depende de os preços permanecerem em patamares elevados como os vistos atualmente, devido ao alto investimento para a implantação de novas lavouras.

De acordo com Dall`Agnol, dos 207 milhões de hectares do Cerrado, 130 milhões são agricultáveis. Cerca de 20 milhões de ha são utilizados atualmente para a agricultura. “Se os preços compensarem, o produtor pode facilmente dobrar, triplicar a área de soja, sem derrubar a floresta amazônica“, disse Dall`Agnol.
“A área está crescendo todos os anos, só que o custo de produção também.
Então o produtor só abre áreas novas quando tem certeza de que vai vender a um preço bom. E é isso que está acontecendo neste ano“, acrescenta.
A soja negociada em Chicago está em torno de US$ 14, nos maiores níveis em dois anos e meio, devido à demanda forte e ao aperto da oferta.

Com esse preço, o produtor não recupera no primeiro ano o custo que teve para derrubar a vegetação nativa, corrigir o solo e transformar a região em área agricultável. Nas contas de Dall`Agnol, esse processo custaria em torno de R$ 2,5 mil a R$ 3 mil e o produtor ainda gastaria mais R$ 1,5 mil para instalar a lavoura.
“Colhendo 50 sacas por hectare e vendendo a R$ 40 a saca, que é o preço praticado hoje no Centro-Oeste, daria R$ 2 mil por hectare. Ou seja, é preciso dois anos colhendo bem para cobrir essa conta.

Não é fácil para o produtor decidir abrir uma grande área se não tiver uma perspectiva de bons preços, então ele vai aos poucos“, disse o pesquisador, lembrando que a lei permite que 80% da vegetação do Cerrado seja transformada em lavoura, contra 20% da Amazônia. André Pessôa, da Agroconsult, destaca um ponto: o bom momento também para a pecuária de corte. Os altos preços da arroba do boi estimulam a pecuária atualmente e podem limitar a liberação de áreas de pastagens para o plantio de soja. “Além disso, recuperar o pasto degradado está ficando caro“, acrescenta sobre a necessidade de preparar o terreno para receber a oleaginosa.

Fonte: Abrapa