» Plantio de transgênicos cresce em emergentes

O cultivo de transgênicos voltou a crescer em 2010, puxado pelos países emergentes, onde a demanda por alimentos aumenta de forma significativa e contribui para o elevado patamar de preços dos produtos agrícolas. A alta foi de 17% ante 2009. Para Clive James, presidente do Isaaa (organização sem fins lucrativos que estuda a biotecnologia na agricultura), o plantio de transgênicos pode ajudar no que muitos já chamam de “crise alimentar”. Ele ressaltou que uma das características da biotecnologia é o aumento da produtividade por hectare -peça-chave para a expansão da produção agrícola nos próximos anos, considerando as poucas áreas no mundo disponíveis para o plantio. “O Brasil é o único país com área significativa, com presença de água, onde a produção pode crescer”, afirmou James, que esteve ontem no país para divulgar o relatório anual do Isaaa sobre o cultivo de transgênicos. “Se a ênfase não estiver em aumento de produtividade, a agricultura deve ir para áreas marginais, o que não é uma boa ideia.” Segundo ele, a cada ano 13 milhões de hectares de florestas tropicais são perdidos nos emergentes. O Brasil é citado como um bom exemplo. “A produção brasileira de grãos dobrou nos últimos 20 anos, mas a área plantada cresceu 27%”, disse. James atribui o bom desempenho à expansão dos transgênicos no país. Entre 2005 e 2010, a área plantada com transgênicos passou de 9,4 milhões para 25,4 milhões de hectares. E a necessidade de rápido crescimento da produção -devido ao forte aumento de consumo provocado pela alta da renda- coloca os países emergentes em destaque no mapa mundial dos transgênicos. Em 2010, eles cultivaram 48% das plantações transgênicas globais e, até 2015, ultrapassarão as nações desenvolvidas, segundo estimativa de James. Brasil, Argentina, China, índia e áfrica do Sul devem liderar essa expansão, diz o Isaaa. E a aprovação de novas sementes em culturas como arroz e cana deve impulsionar esse crescimento.

No Brasil Em 2010, o cultivo de transgênicos no país cresceu 19% em relação a 2009, para 25,4 milhões de hectares (a maior expansão do mundo em termos nominais). Da área total de soja, 75% receberam sementes transgênicas; de milho, 55%.

Dia de quedas A Bolsa de Chicago teve ontem uma queda generalizada de preços. O trigo caiu 7,3%, a soja perdeu 5,1% e o milho, 4,2%. Temor de que o alto preço prejudique a demanda justificou a realização de lucros.

Margem apertada Três grandes refinarias independentes de açúcar estão reduzindo o ritmo de suas atividades. O motivo: com o alto preço da commodity, a margem de refino ficou negativa.

Alta persiste Ainda assim, os preços permanecem firmes. Ontem, em Nova York, o primeiro contrato ficou praticamente estável, a US$ 0,30 por libra-peso.

Mais leilão 1 A Conab promove mais um leilão de milho na tentativa de reduzir os preços internos, que sobem 14% no ano, segundo pesquisa da Folha.

Mais leilão 2 Serão negociadas mais 300 mil toneladas hoje. As vendas diretas já somam 2,5 milhões de toneladas na safra 2010/11.

OLHO NO PREÇO COTAÇÕES

Mercado Interno

MILHO (Reais por saca) 25,33 SOJA (Reais por saca) 45,75

Nova York

CAFÉ (cent.de US$)* 273,60 ALGODãO (cent.de US$)* 187,94 * por libra-peso

Fonte: Abrapa