» Projeto da Abapa transforma cenário da cotonicultura no cerrado baiano

A partir de testes para identificar adaptabilidade das variedades às condições climáticas da região oeste da Bahia, produtores diminuíram de 32 para 6 cultivares em área plantada com algodão

A Bahia se destaca no cenário nacional como o segundo maior produtor de algodão, ocupando uma área de 263,6 mil hectares (safra 2017/2018). Grande parte dessa produção está localizada no Oeste Baiano, cuja região reúne condições privilegiadas para produzir algodão com alto padrão de qualidade. Diante de uma situação que pedia uma estratégia melhor definida para o plantio do algodão, identificando as variedades que se adaptassem melhor às condições climáticas do cerrado baiano e, consequentemente, propiciassem a produção de um algodão de alto padrão de qualidade, a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) desenvolveu testes com essa finalidade.

O trabalho, fruto de um projeto em parceria com o IBA, teve início na safra 2014/2015 e contou também com a parceria da Fundação Bahia, que possui uma equipe qualificada para a realização de testes de validação de cultivares, além de dispor de uma estrutura adequada para condução de experimentos no campo.

Passadas quatro safras desde o início das atividades, os resultados não poderiam ser mais satisfatórios. Enquanto na safra 2014/2015 havia 32 cultivares em cerca de 80% da área plantada com algodão, na safra 2017/2018, a mesma área é ocupada com somente 6 variedades (gráfico abaixo).

Essa adequação elevou a qualidade do algodão baiano, com melhoria significativa de padronização da qualidade da fibra e, ao produtor, a obtenção de condições mais favoráveis para negociação da pluma nos mercados interno e externo.

“Isso ajuda o produtor a não se arriscar no momento da escolha da variedade que será cultivada em sua lavoura, além de favorecer no beneficiamento da pluma, pelo fato de evitar misturas de variedades superiores com inferiores que podem impactar na qualidade do produto final. Apesar de a cada ano as empresas continuarem lançando um grande número de cultivares, é preciso a continuidade dos trabalhos de avaliação e a identificação de suas especificidades de manejo dentro das condições climáticas da região de cerrado e seu desempenho produtivo nas fazendas”, explica a analista de projetos da Abapa, Marília Ribeiro.

O engenheiro agrônomo e pesquisador da Fundação Bahia, Murilo Barros Pedrosa, também avalia os benefícios do projeto: “Por meio dos resultados obtidos e de avaliações independentes e participativas realizadas com imparcialidade, foi possível identificar aquelas mais adaptadas ao cerrado baiano. Essas ações têm contribuído para o aumento de produtividade nas fazendas da região, fazendo com que elas possam ofertar à indústria têxtil maiores volumes de fibras com a mesma qualidade tecnológica”.

Banco do Conhecimento
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