» Palavra do Presidente

Coragem e determinação marcam a história da cotonicultura no Oeste da Bahia, desde que o primeiro agricultor decidiu diversificar sua matriz produtiva plantando algodão.

Como tudo em agricultura, essa decisão envolveu investimentos, sacrifícios, riscos, tentativas, acertos e erros, até que se criasse uma tecnologia de ponta, que, ao longo de três décadas de história, colocou a Bahia como segundo maior produtor do Brasil e o algodão do estado como uma das fibras de melhor qualidade do mundo.

Chegar até aqui não foi nada fácil. Exigiu esforço individual e coletivo, pesquisa, tecnologia e muita perseverança. Nos últimos quatro anos, um gigantesco aporte de fé. Isso porque a região atravessou um dos mais rigorosos déficits hídricos registrados em sua história agrícola. As estatísticas oficiais existentes, desde 1930, mostram que quatro anos seguidos de seca somente aconteceram entre 1957 e 1960, sendo que, no ano de 1960, os rios da região apresentaram os níveis mais baixos. A área plantada de algodão no cerrado da Bahia, que em 2012 já foi de 390 mil hectares, teve redução para 210 mil hectares em 2016/17.

Mas, assim como na vida, a natureza é feita de ciclos, e a normalidade climática já se mostra próxima.

Se as previsões climáticas se confirmarem e o clima voltar à esperada normalidade, o oeste baiano terá neste ano uma das maiores produtividades já obtidas, mantendo a excelente qualidade da fibra da Bahia. A principal missão da diretoria eleita da Abapa na gestão 2017/2018 é a de fazer com que a Bahia volte aos habituais patamares de área plantada e produtividade, e, se possível, também superá-los.

A retração da atividade foi nefasta não apenas para o produtor, mas para a região e o estado, com perdas estimadas em mais de R$1 bilhão, e a suspensão de milhares de empregos não só no campo, mas, principalmente, nas cidades. A cotonicultura brasileira também se ressentiu e aguarda a retomada neste ciclo, uma vez que Bahia é um estado importante para o abastecimento do mercado interno, graças à proximidade das indústrias do Nordeste, e para a exportação da fibra.

Sabemos que, para a recuperação dos nossos números, dependemos da chuva. E ela voltou, esperamos que com regularidade. Precisamos e contamos também com apoio governamental, através da manutenção do bom relacionamento entre Abapa e Governo, que nos permitiu a criação e a manutenção, por exemplo, do Programa de Incentivo à Cultura do Algodão–Proalba e, consequentemente, de instrumentos como o Fundeagro, verdadeira alavanca da cotonicultura do estado.

E, sobretudo – mais que nunca –, dependemos de união. Ela é a base da história vitoriosa que temos para contar e a Abapa é a sua síntese mais completa. A gestão que assume a entidade em 2017 entende e prioriza a união dos produtores e das instituições irmãs, a Aiba, a Fundação Bahia, Fundeagro, Prodeagro e Sindicatos Rurais de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, como a chave para o êxito de qualquer iniciativa e, por isso, sempre observando a orientação da entidade nacional, a Abrapa, há de trabalhar na vanguarda por uma cotonicultura coesa e forte.

Júlio Cézar Busato – Presidente da Abapa