Uma turma com 19 alunos da Casa Familiar de Ploudaniel, escola agrícola localizada no extremo oeste da França, próxima à cidade de Brest, na região da Bretanha, desembarcou ontem (06) em Barreiras, na Bahia, para conhecer o trabalho desenvolvido pela Associação Baiana de Produtores de Algodão (Abapa). Nesta segunda-feira (07) pela manhã, o grupo, liderado pelo diretor da escola, Xavier Guiavarch, conheceu o Centro de Análise de Fibras, o Centro de Treinamento e Tecnologia (CT), e as áreas de Sustentabilidade e Fitossanitário da entidade. À tarde, visitaram a Fundação Bahia. Durante a semana, estão programadas visitas a fazendas da região, além de passeios a Cachoeira Acaba Vida e Rio de Ondas. A turma permanece no Brasil até o dia 13 de abril.
“Para a presidente da Abapa, Alessandra Zanotto Costa, a agricultura é uma atividade global, que enfrenta desafios comuns, como sustentabilidade, inovação e formação de mão de obra qualificada, e soluções como essa passam, necessariamente, pela cooperação e pelo diálogo entre nações. “Ver jovens interessados em aprender sobre o nosso modelo de produção, em especial no oeste baiano, reforça a importância de investirmos em iniciativas que unam formação técnica, práticas sustentáveis e conexão com o mundo. Estamos felizes com essa troca e esperamos que cada aluno leve daqui aprendizados que farão diferença em sua formação profissional e pessoal”, ressalta.
Para o diretor da escola, o objetivo dessa visita é múltiplo. “Primeiramente, trata-se de uma aventura humana e pedagógica. Planejamos essa viagem por cerca de um ano e meio, pois o custo é significativo. As famílias dos alunos contribuíram com 30% do valor, e os próprios estudantes se mobilizaram, realizaram atividades e arrecadações para financiar a viagem. Foi um grande esforço coletivo”, conta Guiavarch.
Segundo ele, além de proporcionar uma vivência cultural, esse projeto tem como objetivo quebrar preconceitos, abrir a mente dos jovens para outras realidades e culturas, e incentivá-los a pensar de forma global sobre a agricultura.
“Já realizamos intercâmbios em diversos países, como Chile, Vietnã, Madagascar, Senegal e vários países da Europa. A visita ao Brasil, representa mais uma etapa importante nesse processo de formação. Nossos valores são profundamente humanistas. Acreditamos que, ao se abrirem ao mundo e ao outro, os jovens também se abrem a si mesmos. Isso contribui para o crescimento pessoal e profissional de cada um, fortalecendo sua capacidade de transformar o mundo a partir do conhecimento adquirido”, explica.
A Casa Familiar de Ploudaniel atende 400 jovens de diferentes idades, com foco na orientação profissional e na formação técnica agrícola. O primeiro estágio é o da orientação vocacional, voltada a jovens de 14 a 16 anos. A partir desse estágio, muitos seguem para a formação agrícola, com foco principal na produção animal. “A Bretanha é bastante conhecida pela produção de leite e suínos, mas também temos forte atuação na produção de carne bovina. No setor vegetal, destacam-se o cultivo de legumes, principalmente tomates”, explica Guiavarch.
Além da agropecuária, a escola oferece cursos voltados à manutenção de equipamentos e estruturas agrícolas. Um dos diferenciais do modelo pedagógico é a alternância escola-empresa, no qual os alunos passam parte do tempo estudando e parte em estágios práticos.











