Descarbonização do agro ganha espaço no IV ESG Fórum Bahia

Publicado em: 5 de junho de 2025

Para a Abapa, o agronegócio brasileiro pode e deve ser protagonista e é a solução na agenda global de descarbonização, mas isso exige cooperação intersetorial, inovação contínua e respeito às diversidades regionais.

Com diálogos sobre sustentabilidade corporativa, responsabilidade social e governança no estado, o IV ESG Fórum Bahia reuniu empresários, gestores públicos, pesquisadores, investidores e representantes do terceiro setor, entre os quais a presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Alessandra Zanotto Costa. Nos últimos dois dias, os participantes desta edição debateram, em Salvador, as estratégias de desenvolvimento sustentável alinhadas aos compromissos globais com o clima e a justiça social.

Na tarde de ontem (4), o destaque da programação foi o painel “Desafios e Soluções para a Descarbonização do Setor Agropecuário”, que atraiu grande atenção ao evidenciar o papel estratégico do agronegócio frente aos desafios das mudanças climáticas e o papel da educação sanitária nesse processo. A presidente da Abapa foi uma das painelistas convidadas e apresentou um panorama técnico e estratégico sobre as ações de mitigação de emissões no setor agrícola baiano.

“O produtor rural brasileiro, especialmente aqui na Bahia, já tem feito sua parte. O uso racional de recursos, o investimento em tecnologia e o respeito às normas ambientais são práticas cada vez mais integradas ao cotidiano do campo. A sociedade precisa entender que o agro é parte da solução e não do problema. Mas ainda temos uma longa jornada pela frente. Descarbonizar o agro exige visão sistêmica e políticas públicas integradas”, afirmou Alessandra.

A presidente da Abapa ressaltou também que a agricultura moderna não é inimiga do meio ambiente, mas sim uma aliada da sustentabilidade quando orientada por ciência, inovação e compromisso com a conservação. “Na cotonicultura, por exemplo, adotamos o manejo conservacionista, reduzimos o uso de insumos químicos com monitoramento digital das lavouras, e investimos em programas de recuperação de áreas degradadas.

Segundo ela, mais de 80% do algodão baiano tem certificação ABR (Algodão Brasileiro Responsável) e Better Cotton, que exigem práticas alinhadas à mitigação climática.

“E a rastreabilidade da produção permite mostrar ao mundo, com dados, o quanto já avançamos — inclusive nas emissões evitadas. Aliado a isso, temos que observar não só a rigidez da nossa legislação como também as regras do mercado externo”, explicou a presidente.

O painel também contou com a presença do presidente do Sistema Faeb/Senar, Humberto Miranda e da diretora da Xilolite S/A Renata Camargo. A discussão girou em torno dos principais gargalos enfrentados pelos produtores para acelerar a transição para uma agropecuária de baixo carbono, como a burocracia para acesso a linhas de financiamento sustentável, a falta de assistência técnica contínua e os desafios na medição e certificação de emissões evitadas ou compensadas.

Para a presidente da Abapa, um dos maiores desafios é a criação de métricas confiáveis e padronizadas que permitam mensurar o impacto real das ações sustentáveis no campo. “Sem indicadores claros, o produtor não tem como demonstrar seu compromisso ambiental. Precisamos de sistemas de rastreabilidade acessíveis, que reconheçam os esforços de quem já faz o certo. É fundamental que o mercado e o governo valorizem essas práticas com incentivos reais”, defendeu.

Alessandra encerrou sua participação reforçando que o agronegócio brasileiro pode e deve ser protagonista na agenda global de descarbonização, mas que “isso exige cooperação intersetorial, inovação contínua e respeito às diversidades regionais.”

O IV ESG Fórum Bahia finalizou sua programação destacando a importância do engajamento de todos os setores da economia na construção de uma Bahia mais verde, justa e resiliente. Para os organizadores, a presença de lideranças, como Alessandra Zanotto Costa, demonstra o compromisso do setor agropecuário em contribuir de forma ativa para a transformação necessária diante da emergência climática global.

 

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