Abapa debate qualidade e reputação do algodão brasileiro em workshop no novo Centro de Análise de Fibras

Publicado em: 30 de abril de 2026

 

O novo Centro de Análise de Fibras da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) recebeu, nesta quinta-feira (30), 207 pessoas para participar do workshop Qualidade da Fibra do Algodão: Colheita e Beneficiamento. Durante todo dia, eles acompanharam palestras e discussões sobre um dos principais vetores de competitividade do algodão brasileiro: a qualidade da fibra, tema estratégico para a Bahia, segundo maior produtor de algodão do país.

Na abertura, a presidente da Abapa, Alessandra Zanotto Costa, destacou que a qualidade é, acima de tudo, fruto de escolhas diárias. “Qualidade é fruto de decisão. A decisão pela melhor variedade, manejo, maquinário e calibragem, seja no campo ou na algodoeira”, afirmou, lembrando que atender às exigências do mercado muitas vezes exige optar pela qualidade em detrimento da produtividade pura e simples.

O evento ocorre em um momento em que o Brasil já consolidou seu volume de produção, mas enfrenta o desafio de conquistar a preferência da indústria global. Para a presidente, não basta mais ser apenas um grande fornecedor. “O país já respondeu ao mundo em volume. Hoje, a régua está mais alta. A briga agora é pelo cliente e pela preferência da indústria, que historicamente associa qualidade a outras origens”, alertou Alessandra. Ela ressaltou que a qualidade ainda é um elo de vulnerabilidade na percepção do mercado: “Não basta mais sermos apenas bons, temos que parecer bons também”.

Durante todo o dia, especialistas de diferentes elos da cadeia discutiram, de forma aplicada, como decisões ao longo do processo, do campo ao laboratório, impactam o valor da pluma. A programação reuniu palestras da diretora de Relações Institucionais da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), de Silmara Ferraresi, sobre rastreabilidade; do coordenador de operações internacionais do programa Cotton Brazil, Fernando Rati, sobre geração de valor da fibra; e do engenheiro agrônomo e consultor técnico, Geraldo Pereira, sobre o uso de maturadores e desfolhantes na colheita.

O workshop apresentou ainda um talk show mediado pelo diretor executivo da Abapa, por Gustavo Prado, com a participação de Luciano Bizzi (engenheiro agrícola e consultor), Edmilson Santos (especialista em beneficiamento e qualidade do algodão), Edson Mizoguchi (consultor de qualidade da Abrapa), Marcelo Kortz (especialista em Lean Manufacturing) e Sérgio Brentano (gerente do laboratório da Abapa). Em pauta, temas como eficiência operacional, contaminação da fibra, impacto das fibras curtas e padronização dos fardos, fatores diretamente ligados à consistência e à reputação do algodão brasileiro no mercado internacional.

“O Brasil precisa exceder todos os seus próprios avanços em qualidade para reposicionar de vez seu algodão. Cada fardo que enviamos tem que ser o nosso cartão de visita. Vamos dar uma ‘pivotada’ para sermos não só os maiores, mas os melhores também”, concluiu Alessandra.

Novo laboratório

Instalado ao lado do Complexo da Bahia Farm Show, o centro amplia a capacidade técnica da entidade. Com 5.200 m², a estrutura está preparada para operar 19 equipamentos de HVI e realizar até 40 mil análises diárias na safra 2025/2026, garantindo maior confiabilidade nos resultados, rastreabilidade dos lotes e consistência na classificação, fatores determinantes para a valorização da pluma no mercado.

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