Um problema que sempre preocupou e tem concentrado o esforço do setor agrícola em sua solução é a segurança nas operações envolvendo as unidades de armazenamento de grãos no país. O assunto foi o tema do curso “Principais Fatores de Riscos da Operação de Armazenamento de Grãos”, realizado pela Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) nesta sexta-feira (11), como parte do Projeto Setorial de Armazenamento de Grãos. Criada em 2024, a iniciativa tem como objetivo capacitar gestores de fazendas e operadores para mitigar os principais riscos no trabalho nos silos, que são estruturas fechadas, construídas acima ou abaixo do solo, utilizadas para armazenar materiais granulados como soja e cereais. A capacitação teve duração de 8 horas e aconteceu no Centro de Treinamento e Tecnologia (CT) da Abapa, em Luís Eduardo Magalhães, no Oeste da Bahia.
“Este projeto evidencia como os cursos direcionados a estes complexos agroindustriais para armazenamento de grãos são vitais no Brasil, especialmente no Oeste baiano, região agrícola em expansão, pois previnem acidentes como explosões e soterramentos, garantem conformidade com normas (NR’s), aumentam a produtividade e reduzem perdas. Além disso, promovem uma cultura de segurança entre trabalhadores, onde uma significativa parcela destes, por vezes são temporários, assegurando operações eficientes e protegendo vidas em um setor crucial para o agronegócio brasileiro”, explicou Douglas Fernandes, gerente do CT da Abapa.
O Projeto Setorial de Armazenamento de Grãos é uma realização do Serviço Social da Indústria (Sesi Bahia), em parceria com a Abapa, a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), a Associação das Empresas do Centro Industrial do Cerrado de Luís Eduardo Magalhães (Aciclem) e a Associação das Empresas do Distrito Industrial de Barreiras (Adib). Em especial, a Cargill, com o aporte de recursos no projeto, que reúne 22 fazendas produtoras de algodão da região Oeste da Bahia.
Capacitação
O conteúdo programático ministrado pelo instrutor Adriano Mallet, que tem mais de 20 anos de experiencia na operação de silos, abordou as melhores práticas de armazenagem e beneficiamento de grãos, para realizar uma operação e manutenção eficaz, reduzindo as perdas quantitativas e qualitativas da massa de grãos. Todas estas atividades com segurança e redução de riscos de acidente.
Os módulos trouxeram conhecimentos sobre os cuidados na recepção de grãos e utilização de material de proteção; operação das máquinas de limpeza e pré-limpeza, secadores, armazenagem, transporte e conservação. Este último, englobou aprendizados sobre explosões, trabalho em altura e espaço confinado, contaminação respiratória e proteções físicas na unidade.
“Atualmente, os principais riscos no armazenamento de grãos são o acúmulo de gases tóxicos, risco de explosão por poeira, quedas e soterramento, riscos elétricos e mecânicos e incêndios. Por isso, estamos trabalhando através do Projeto Setorial de Armazenamento em Grão para reduzir significativamente esses acidentes da região Oeste da Bahia”, afirmou Fernanda Fernandes, Gerente de Saúde e Segurança do Sesi Oeste.
Segundo Mateus de Castros Santos, instrutor técnico da Abapa, para evitar acidentes nas unidades armazenadoras, o primeiro passo, e talvez o mais importante, é investir em uma boa capacitação. “Ter trabalhadores bem treinados dentro da fazenda faz toda a diferença. Quando esses profissionais conhecem a fundo o funcionamento de cada equipamento, entendem os riscos que essas máquinas podem representar e dominam o processo de trabalho como um todo, incluindo sua organização, estamos fortalecendo uma das principais barreiras contra acidentes. É esse conhecimento prático e preventivo que contribui diretamente para um ambiente mais seguro e eficiente”, acredita ele.
Para quem não conhece, os silos são unidades essenciais para a logística e a comercialização da produção agrícola. No entanto, por serem estruturas complexas, que podem alcançar mais de 25 metros de altura — o equivalente a um prédio de oito andares —, exigem mão-de-obra especializada para garantir tanto sua operação eficiente quanto a segurança dos trabalhadores.







