Qualidade da fibra em foco: Abapa realizou workshop com agentes da cadeia produtiva

Publicado em: 16 de maio de 2025

Em 14 de maio, a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) reuniu mais de 200 pessoas, entre produtores e técnicos do setor, em Luís Eduardo Magalhães (BA), para o Workshop Qualidade da Fibra. O evento discutiu as melhores práticas de manejo pré e pós-colheita, o controle do tegumento e estratégias para evitar contaminações por plásticos — pontos cruciais para garantir o alto padrão da fibra brasileira. A Bahia, segundo maior estado produtor de algodão do país, foi uma das três escolhidas pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) para sediar o seminário. A seleção deve ao crescimento da produção que, ao lado do Maranhão, Piauí e Tocantins, tem ampliado sua importância no cenário nacional. Os outros estados que também recebem o evento são Goiás e Mato Grosso.

O objetivo foi avançar na padronização e na excelência da fibra, reforçando o posicionamento do algodão brasileiro nos mercados internacionais mais exigentes. “A qualidade é um dos quatro compromissos do algodão brasileiro, assim como a sustentabilidade, a rastreabilidade e a promoção. Confiança é um valor muito importante na vida, e no mercado de algodão, é fundamental para garantir o cumprimento dos contratos, para diminuir controvérsias e a necessidade de arbitragens. Isso ajuda a fortalecer a imagem do nosso produto: reflete no based e, consequentemente, em mais valorização para nossa fibra e remuneração para o produtor”, disse Alessandra Zanotto Costa, presidente da Abapa, durante a abertura do encontro.

Entre as características intrínsecas da fibra avaliadas nas análises por instrumentos de alto volume, ocorreram avanços em índices como resistência, comprimento UHML, uniformidade, índice de fibras curtas e grau de reflexão. Porém, a presença de contaminantes, considerados extrínsecos à fibra, pode ocasionar ajustes na classificação e descontos na comercialização.

“Avançamos muito na produção de algodão e nos tornamos o maior exportador da pluma desde 2024. Com isso, aumentamos o nosso desafio em garantir um produto de qualidade e suas negociações. Portanto, precisamos conscientizar os produtores e toda a sua cadeia na busca dessas melhorias ordinárias pelo mercado”, explicou Edson Mizoguchi, gestor do Programa SBRHVI da Abrapa.

Na ocasião, ele palestrou sobre qualidade e transparência como valor agregado ao algodão brasileiro, a partir dos programas SBRHVI e de Qualidade do Algodão Brasileiro (PQAB), certificação oficial do governo federal que atesta os indicadores de qualidade do algodão nacional. “O programa SBRHVI e o PQAB têm dados de qualidade garantidos cada vez mais confiáveis e transparentes. E, por isso, melhores. Mas, há outros aspectos que são desafiadores e que ainda não medimos, como as contaminações”, reiterou Mizoguchi.

Impactos

Para mitigar o problema de contaminação, especialistas de diversas áreas da cadeia produtiva do algodão compartilharam conhecimentos e experiências para melhorar a qualidade da fibra brasileira e fortalecer sua imagem no mercado internacional, durante o workshop.

A programação contém um painel sobre os impactos das características de qualidade e contaminações do algodão nos mercados nacionais e internacionais. O tema foi abordado por Sérgio Benevides, Diretor de Comercialização de Algodão da Cia Valença; Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Abrapa; e Ariel Coelho, diretor da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea). Os palestrantes destacaram como atributos inadequados da fibra, como presença de plásticos e tegumento, comprometendo a competitividade do algodão brasileiro junto a clientes no exterior.

Na sequência, o debate voltou às posições das empresas obtentoras de sementes sobre as variedades mais aprovadas com as demandas do mercado por qualidade e menor risco de contaminação. Haniel Sousa, representante técnico de vendas (RTV) da área comercial da Bayer, e Allan Silva, da Basf, avaliaram os avanços genéticos das cultivares mais recentes, com foco em uniformidade, resistência e qualidade da fibra.

As boas práticas do campo à colheita foram tema da palestra de Pedro Brugnera, assessor agronômico da Círculo Verde Consultoria, e Marcelo Kortz, sócio-diretor da MLK Consultoria, que enfatizaram o impacto direto da condução da lavoura nos índices de vigor, pureza e rendimento da fibra após o beneficiamento.

Para tratar do pós-colheita, Edmilson Santos, consultor da DE-Cotton, apresentou recomendações para garantir a qualidade do algodão do beneficiamento ao transporte, com ênfase no controle de contaminações, armazenamento e fornecimento adequado dos fardos.

Encerrando o ciclo de palestras, Fábio Licata, gerente comercial do Tecon SSA (Terminal de Contêineres do Porto de Salvador), e Mayron Kaneko, especialista comercial da Wilson Sons, abordaram as boas práticas logísticas na exportação do algodão, destacando os desafios operacionais de escoamento da produção pelo local.
A presença de profissionais proporcionou uma visão completa da cadeia produtiva, reforçando o compromisso da Abapa com a excelência da fibra baiana — do campo ao mercado global.

Plano de Ação

O evento mostrou a necessidade de implementação de ações de capacitação e treinamento, com foco em melhorias na comunicação — especialmente entre algodoeira e trabalho, e entre algodoeira e indústria. Também foram identificadas oportunidades de aprimoramento no manejo da mão de obra.

“Anunciamos a criação do Programa de Qualidade da Fibra, voltado à valorização do algodão baiano. A iniciativa contará com uma rede colaborativa, reunindo representantes de toda a cadeia: sementes e insumos, consultores, agrônomos, técnicos, academia, produtores, algodoeiras, indústria têxtil, transporte rodoviário e marítimo”, explicou Gustavo Prado, diretor executivo da Abapa.

Essa rede irá incluir um comitê multissetorial, com reuniões periódicas. Em 2026, uma nova edição do workshop apresentará os resultados das ações realizadas e norteará o planejamento estratégico para o próximo ciclo.

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